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segunda-feira, 19 de maio de 2014

Esse mundo é meu

Graças ao amigo carioca Sid Soares, tive acesso à mais algumas músicas interpretadas por Stellinha Egg. E não é que ela estava na trilha sonora do premiadíssimo filme de Sérgio Ricardo, Esse Mundo é Meu?

Sua voz embalou a "Cabocla Jandira", composição do marido, maestro e arranjador, Gaya.




A impressionante trilha do filme foi composta por Sérgio Ricardo e Gaya e a orquestra arranjada e dirigida por Gaya.

Salve esse post nos seus favoritos e volte aqui numa noite solitária e nostálgica, para assistir o filme completo.







Prêmios e festivais do filme:
- Exibido no Festival Internacional de Filme no Líbano, 1964
- Exibido na Mostra do Cinema Novo, Gênova, Itália, 1964
- Considerado pela revista francesa especializada "Chiers du Cinema"
um dos filmes mais importantes de 1964, artigo de Luc Mullet, junho-julho de 1964

- Festival de Marília, São Paulo, 1965, melhor filme.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

O gondoleiro do amor

Texto de Castro Alves, musicado por Salvador Fábregas, na voz de Stellinha Egg.




O Gondoleiro do Amor - barcarola
Castro Alves

Dama negra
Teus olhos são negros, negros,
Como as noites sem luar…
São ardentes, são profundos,
Como o negrume do mar;

Sobre o barco dos amores,
Da vida boiando à flor,
Douram teus olhos a fronte
Do Gondoleiro do amor.

Tua voz é cavatina
Dos palácios de Sorrento,
Quando a praia beija a vaga,
Quando a vaga beija o vento.

E como em noites de Itália
Ama um canto o pescador,
Bebe a harmonia em teus cantos
O Gondoleiro do amor.

Teu sorriso é uma aurora
Que o horizonte enrubesceu,
- Rosa aberta com o biquinho
Das aves rubras do céu;

Nas tempestades da vida
Das rajadas no furor,
Foi-se a noite, tem auroras
O Gondoleiro do amor.

Teu seio é vaga dourada
Ao tíbio clarão da lua,
Que, ao murmúrio das volúpias,
Arqueja, palpita nua.

Como é doce, em pensamento,
Do teu colo no languor
Vogar, naufragar, perder-se
O Gondoleiro do amor!?

Teu amor na treva é – um astro,
no silêncio uma canção,
É brisa – nas calmarias,
É abrigo – no tufão;

Por isso eu te amo, querida,
Quer no prazer, quer na dor…
Rosa! Canto! Sombra! Estrela!
Do Gondoleiro do amor.



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Veja muito mais sobre minha tia famosa aqui.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Eu, Stelinha

O show aconteceu em novembro de 2010. Divulguei bastante empolgado o evento. Deixei as barrancas do itajaí-açu e subi a serra até o planalto araucano para ver como seria e depois comentei emocionado como foi. Pois agora, pouco mais de um ano depois, recebi de presente da gente finíssima Etel Frota, roteirista do show (e poeta de primeira), uma cópia do vídeo produzido pela Educativa do Paraná.

Agradeço muito, novamente, a Etel pelo esforço em fazer esse DVD chegar às minhas mãos (e pelos vários outros brindes que recebi).

Como não podia deixar de ser, coloquei o vídeo online. Um pouco mais de uma hora de um belíssimo show em homenagem a minha tia famosa.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Tributo

stellinha egg

Num pais desmemoriado como o Brasil, mesmo quem cultiva a história acaba esquecido. Cantora especializada em música derivada do folclore, a paranaense Stella Maria Egg (1914-1991), a Stellinha Egg de uma familia de músicos de origem austríaca (a tia Heloisa tocava cítara; Ludovico Carlos Egg, parente paterno, trompa, piano e regia um coral de 120 vozes, no Tirol) dedicou-se a partir dos anos 30, ainda na PRB-2 (Radio Clube Paranaense) à MPB de raiz. Discípula do maestro Alceu Bocchino, seu primeiro professor de música, ela se casaria com outro maestro influente, o paulista de Itararé, Lindolpho Gaya (1921-1987), de linhagem polonesa, com quem formaria uma indissolúvel dupla, que atuaria por décadas com sucesso no rádio, TV, gravações e excursões. (...)

Estrela da canção

Artista precoce, que assomou ao palco pela primeira vez aos cinco anos, num espetáculo na Igreja Presbiteriana, Stellinha Egg gravou, de 1944 a 1973, 180 discos 78 rotações e 20 LPs com vasto repertório - de Heckel Tavares a Jorge Ben, de Luiz Gonzaga a Tom Jobim, de Dorival Caymmi a Catulo da Paixão Cearense. Ela que trocou o oficio de professora pelo canto, na década de 40, foi eleita três vezes a melhor intérprete do folclore brasileiro. Em 1956 lançou o clássico LP de 10 polegadas "Músicas do nosso Brasil com Stellinha Egg" (RCA Victor BPL 3022), uma coesa antologia de “singles” de 78 rotações editados entre 1951 e 1954 pela RCA, depois da fase inicial na Continental. Por suas interpretações intensas, dramatizadas, de “O vento" e “O mar' em 1953 (foi a cantora que mais gravou Dorival Caymmi nessa fase) ganhou mais de uma dezena de prêmios, incluindo medalha de ouro na rádio Tupi e Disco de Ouro do jornal O Globo e da rádio Globo. No texto de contracapa do LP acima citado, Claribalte Passos escreve:
“Laureou-se, em 1954, no julgamento unânime da critica fonográfioa carioca, num concurso promovido pela Revista do Disco, como a “Melhor intérprete de Música Brasileira”, pelas suas criações em disco RCA Victor, das belíssimas composições de Dorival Caymmi, “O Vento" e “O Mar", gravações consideradas as mais perfeitas já lançadas em nosso pais".
Stellinha e Gaya excursionaram por doze paises europeus. Gaya regeu a Filarmônica de Varsóvia, Polônia e, em Moscou, tocou choros de sua autoria no filme “Folclore de cinco paises”, em que a cantora representou um quadro macumba e cocos. Em Portugal, Stellinha registrou “Cantigas de roda" e "Vamos todos cirandar" e gravou também na Rússia e na Polônia. Na França, onde residiu por algum tempo, lançou “Chants folkloriques Brésiliens”, e atuou no filme "Bela aventura". Após mais uma turnê européia em 1973, reinstalados no Rio de Janeiro antes da partida para Curitiba dez anos depois, Stellinha e Gaya montaram os shows “Bras¡l, suas raizes musicais" e “Andanças”. Este (…) celebrou os 30 anos de carreira do casal, sumarizando uma cronologia musical brasileira, dos pregões e do lundu ao samba e bossa nova, com a última apresentação ocorrendo em 1985, em Curitiba.
koorax-tributo
Surrupiado e condensado do texto de Tárik de Souza
no encarte do CD de Ithamara Koorax,

Tributo à Stellinha Egg

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Bate-papo com Stelinha Egg e Gaya

Trechos de entrevista concedida pela cantora Stellinha Egg e o marido maestro Gaya ao jornalista Aramis Millarch.

A família, a infância em Curitiba, a iniciação musical, São Paulo, Rio de Janeiro, o maestro Gaya, a turnê na Europa, os filmes (desaparecidos) da cantora no exterior e uma série de 'causos' dos tempos de ouro do rádio e o início da TV.




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Links para a íntegra da entrevista de Stellinha Egg para o jornalista Aramis Millarch.
1. Stelinha e Gaya - 2h50m (a partir de 1h30, depoimento de Gaya, incluindo histórias de Guerra Peixe, Radamés Gnattali, música dodecafônica, a bossa nova, seus trabalhos com harmonia, arranjos, orquestrações e muito mais).
2. Stelinha Egg - mais de 2h de um papo delicioso


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Muito mais sobre Stellinha Egg aqui.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Inquisição de Stellinha

A inquisição Presbiteriana da minha tia famosa, "suspensa da comunhão por cantar numa festa profana."



Extraído da longa entrevista concedida ao jornalista Aramis Millarch, disponível na íntegra aqui.

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Muito mais sobre Stellinha Egg aqui.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

A cidade chorou

Consegui uma vaga na Santos Andrade, a uma quadra do Guairinha. Achei que era chuva que caía do céu negro de Curitiba assim que descemos do carro. Não era. Era a cidade chorando saudade. E não era pra menos chorar. A voz da Stelinha, em entrevista gravada pelo jornalista Aramis Millarch em 5 de abril de 1990, era a voz da saudade, a voz da infância, a voz de uma geração que passou. Com as palavras vinham imagens mil, e todas alegres, coloridas, intensas. E ficou tudo molhado, embaçado. As vozes, os instrumentos, as crianças, as canções, as modinhas, o cenário, as interpretações, tudo debaixo dágua que rolava dos olhos e lambuzava a camisa. A cidade não chorou sozinha.




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Registro aqui meu agradecimento especial a Etel Frota e a toda equipe que armou aquilo tudo que foi como flecha ligeira, certeira, inflamada no coração da família e de todos que conheceram Stelinha.

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Muito mais sobre Stellinha Egg.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

A grande cantora do Paraná

A maior cantora paranaense de todos os tempos, Stelinha Egg (1914/1991), vai receber uma homenagem à altura de seu talento no próximo dia 24 de novembro, às 20h30, no Guairinha (R. XV de Novembro, s/nº).

O Museu da Imagem e do Som está promovendo o show "Eu, Stelinha", um tributo musical que vai relembrar o repertório da cantora em grande estilo.O MIS guarda em seu acervo um material precioso da cantora, que inclui fotografias, peças de artesanato que Stelinha colecionava nas viagens pelo Brasil e os vestidos que ela usava nos shows, além de medalhas e partituras.

O espetáculo com concepção da Diretora do MIS, Stefanie Freiberger,  direção geral do jornalista Rodrigo Browne, roteiro de Etel Frota, produção de Regina Graton , direção musical de Sérgio Justen,e direção cênica de Aldice Lopes vai relembrar as canções imortalizadas na voz de Stelinha Egg, agora sob interpretação do primeiro time de cantoras paranaenses: Edith de Camargo, Helena Bel, Lais Mann, Margareth Makiolke, Rogéria Holtz e Selma Baptista.

No programa canções de Dorival Caymmi, Luiz Gonzaga, Catulo da Paixão Cearense, Chico Buarque, entre outros. A entrada é franca.

Web

Eu, Stelinha

Show musical em homenagem à cantora Stelinha Egg nas vozes de:
Edith de Camargo | Helena Bel | Lais Mann
Margareth Makiolke | Rogéria Holtz | Selma Baptista

local: GUAIRINHA - Rua XV de Novembro, s/n
data: 24 de novembro de 2010 (quarta-feira)
horário: 20h30

ENTRADA FRANCA

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Muito mais sobre minha tia famosa aqui.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Gigante

Quando minha tia famosa faleceu, em 1991, eu ainda andava de calças curtas, apesar de já ter idade para dirigir. O universo de roupas, discos, livros, fantasias, bonecos, artesanatos, aparelhagem de som, vídeos, prêmios, medalhas, diplomas e certificados recolhidos em suas andanças por todo o Brasil e Europa, e utilizado em seus shows aclamados por crítica e público, dipersou-se pelo ar. Uma boa parte foi parar nos porões do Museu da Imagem e do Som, em Curitiba, e lá permanece em processo avançado de deterioração. O resto evaporou. Ninguém sabe ao certo o paradeiro.

Em 1998 e 1999, porém, o MIS, em um louvável esforço por redimir o descaso (e são muitos os motivos que aqui não vêm ao caso), produziu um pequeno vídeo e um livreto sobre Stellinha Egg. Eu, alienado como sempre, nem soube disso, até receber a notícia de que meu querido primo e amigo do peito, André, teve acesso à ambos. Fiz uma cópia do DVD e ganhei um exemplar do livreto.

O vídeo é uma entrevista com meu avô, o quarto rei, sobre sua irmã, Stellinha.

O livreto fez minha tia avolumar-se diante de mim. Tornou-a uma gigante, muito maior do que já havia imaginado. Shows, gravações, filmes, turnês, elogios, prêmios, rádio, televisão, praça, público. Impressionante! Digitalizei o livreto. Deus que me perdoe pelos direitos autorais e tal. Os créditos estão todos aí. Quem fez os merece, sem dúvida (bom seria todo o acervo do MIS digitalizado, inclusive áudios e vídeos).

O que já me chegou às mãos sobre Stellinha Egg (LPs, cassetes, DVD e livro), digitalizei como pude. Aproveitem.

Pequeno clipe de imagens da Stellinha. Edição do vídeo do MIS.


Depoimento editado de Arthur Egg, me avô, sobre sua irmã.


Link do livreto produzido pelo MIS sobre Stellinha Egg e Gaya.


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Mais sobre Stellinha aqui na trilha, com muitas músicas e algumas fotos:
Stellinha Egg

É o papai


Homenagem (atrasada como sempre) ao senhor Dátames, que fez muito mais do que pode imaginar pelos seus filhos, e ainda acha que fez pouco. [Stellinha Egg no disco Stellinha e as crianças]

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Aurora cor da dor

Eventualmente uma folha seca cai suave do céu, valsando, precisamente na palma da minha mão. Essa veio de Florianópolis e, como de costume quando se trata da minha tia famosa, me encheu os olhos de lágrima.
Como nos informa graciosamente o blog Cifra Antiga, a música de Santos Coelho ficou muito conhecida na letra do poeta Domingos Correia, sob o título "Flor do Mal", gravada por Vicente Celestino em 1916 (Odeon). Mas antes disso havia sido letrada por Catulo da Paixão Cearense com o título de "Ó Como a Saudade Dorme Num Luar de Calma". Essa é a versão entoada com precisão por Stellinha Egg nesse vídeo garimpado no youtube pela bateia sensível de Thiago Mello.

Imensamente grato ao colega e seu novo blog.

Ó Como a Saudade Dorme Num Luar de Calma
Santos Coelho e Catulo da Paixão Cearense
Interpretado por Stellinha Egg





Ó como a saudade dorme num luar de calma
Roxa como as sempre-vivas dos canteiros d´alma
Ó como a planger por ti amor
Nasce mas não morre como a flor

Dói como uma estrela n´alma que a chorar persiste
Dói e é na dor latente que o prazer consiste
Ó como a saudade é triste
Como tem fulgor a luz da minha triste dor

Esta que em meu peito chora amor
É como uma aurora cor da dor
Ela é filha da amizade ó sim
Pobre desta saudade amor
Pobre da minha flor

Ó vai sobre uma sepultura que de azul
De imenso azul se veste
E vai sonhar a luz da lua
A sombra esguia de um cipreste

Ó vai saudade do meu peito ao luar
Crucificar-me o leito
Vai levai esta lágrima
Uma estrela d´alma
Palma de luz ao pé da cruz

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A mesma música Orquestrada por Gaya no LP "A Grande Valsa Brasileira"




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Veja também:
Todo mundo tem um parente famoso

Grandes Navegações
Stellinha e Gaya
Stellinha e as crianças
O Brasil canta com Stellinha Egg

sábado, 18 de agosto de 2007

Grandes navegações

Quando icei pela primeira vez a âncora e deixei-me levar pelos ventos mar adentro, não imaginava a beleza das terras e embarcações que eu encontraria. Observei muita coisa entre mares revoltos e calmarias, às vezes de longe, eventualmente muito perto e, em algumas oportunidades, com contatos pessoais agradabilíssimos. Mas, recentemente, tenho sido presenteado por alguns contatos realmente especiais. São os encontros com outras embarcações que trazem tesouros similares àquele que garimpei, polí, lapidei e divulguei aqui mesmo nesse blog, entre os despojos de minha família.

O último encontro foi com a embarcação “Bossa Brasileira”, que trazia no convés a relíquia “Músicas do nosso Brasil”, de Stellinha Egg que, com a permissão do navegador Thiago Mello, veio enriquecer minha coleção pessoal.




“Músicas do Nosso Brasil” foi editado pela RCA Victor em 1956 em disco de 10 polegadas. As faixas haviam sido lançadas em diversos 78 rotações entre 1951 e 1954. São gravações antológicas de valor histórico e artístico incontestável. Canções, baiões, toadas e os chamados “batuques” - tudo em coesão impressionante, não parecendo tratar-se de uma coletânea. Ao vestir com tal exuberância algumas destas canções, Gaya não imaginou a dimensão histórica que o trabalho representaria. [Com a voz de] Stellinha Egg e arranjos de Gaya é uma obra-prima. Belo, divertido, intrigante e misterioso. E também histórico e fundamental. Como bônus, incluímos duas faixas presentes nos 78 rpms que originaram o LP, mas não entraram na edição final: “Noite de Temporal” e “Nunca Mais” ambas de autoria de Dorival Caymmi.


Stellinha Egg “Músicas do Nosso Brasil”1956 RCA Victor [BPL 3022]

01 Luar do Sertão [Catulo da P. Cearense, J. Pernambuco] canção 1952
02 Prenda Minha [Tradicional, adpt. Stellinha Egg] baião 1951
03 Recado à Yemanjá [Roskilde, Stellinha Egg] toada-baião 1954
04 O Vento [Dorival Caymmi] canção praieira 1953
05 Baião de Diamantina [H. de Almeida, R. Paes] baião 1953
06 Lamento Negro [Constantino Silva, H. Porto] macumba 1954
07 Lenda do Abaeté [Dorival Caymmi] batuque 1954
08 O Mar [Dorival Caymmi] canção 1953
09 Nunca Mais [Dorival Caymmi] samba-canção 1954

10 Noite de Temporal [Dorival Caymmi] batuque 1954
Arranjos para orquestra e coro do maestro Gaya.

[veja aqui a postagem completa na embarcação original de Thiago Mello]

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Stellinha e Gaya

A imagem na memória é de uma figura esguia, ombros altos mas mirrados, com a coluna arcada e cabelo desgrenhado. Devia ter pouco mais de 60 anos. As longas entradas na testa davam ares de intelectual e estava sempre envolto em uma pequena nuvem de fumaça do cigarro que não apagava nunca. Lembro dele nas peladas do grande Pobreza F. C., no curto período em que ele participou das batalhas futebolescas. Ia de carona com a gente. No campo, chamava a atenção pelas canelas finas e a idade avançada no meio do pessoal. Lembro também das longas partidas de xadrez entre ele e meu avô e da voz rouca, soltando fumaça junto com as palavras. Meu avô eventualmente comentava sobre suas convicções comunistas. Era uma figura estranha no meu imaginário infantil.

Stellinha e Gaya
Gaya, à esquerda, com a Stellinha.

Sei que quando ficou doente, a tia Stellinha não saia do seu lado. Permaneceu com ele durante todo seu sofrimento. Depois que ele partiu, ela passou a organizar o que pretendia que se tornasse o “Museu do Gaya”. Foram muitas e muitas tardes que passou enfurnada no meio de um mundo de coisas, entre discos, roupas, cenários, equipamentos de som, partituras e manuscritos. Nessa época meu irmão a acompanhava e ajudava no complexo trabalho de organizar e catalogar todo aquele pequeno mundo.

Nesses últimos tempos, da doença e do museu, é que ficou claro o quanto a vida de um estava misturada com a do outro.

"Sempre foi assim. Quando se falava em Gaya, falava-se em Stellinha. Quando se falava em Stellinha, falava-se em Gaya. Nunca foi, nem poderia ser de outra forma" – dizia minha tia famosa.


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A Grande Valsa Brasileira
Gaya e sua Orquestra de cordas

Composições para orquestra, escritas pelo maestro Gaya para repertório de doze músicas.




1. Velho Realejo (Custodio Mesquita e Sady Cabral)
2. Boa Noite Amor (José Maria de Abreu e Francisco Mattoso)
3. Branca (Zequinha de Abreu)
4. Deusa da Minha Rua (Jorge Faraj e Newton Teixeira)
5. Última Inspiração (Peter Pan)
6. Ave Maria (Erothides de Campos)
7. Saudades de Matão (Jorge Galatti e Raul Torres)
8. Meu Último Luar (Waldemar Henrique)
9. Mimi (Uriel Lourival)
10. Flôr do Mal (Santos Coelho e João Portaro)
11. Volta para o Meu Amor (Joubert de Carvalho e Tostes Malta)
12. Lágrimas de Virgem (Luiz Americano)


Para saber mais:

Histórias e músicas da Stellinha EggStellinha e Gaya – Uma história de amor
Gaya. O homem que sabia dos ritmos

domingo, 24 de junho de 2007

Stellinha e as crianças

Para Aladia

Mais 2 LPs de vinil da tia famosa digitalizados e disponibilizados.

Stellinha com coral de crianças
1. Nossas datas queridas
2. Cantigas de roda




Stellinha e Gaya
Gaya (à esquerda), Stelinha e mais alguém.

Stellinha Egg
Dedicatória para minha avó, Aladia, e para tia Stella.

quarta-feira, 16 de maio de 2007

O Brasil canta com Stelinha Egg

Orquestra e coro em arranjos especiais de Gaya.
O que foi escrito antes sobre minha tia-avó famosa causou tal comoção na família que acabei conseguindo mais alguns discos da Stelinha pra gravar em MP3 (obrigado Ieda). E consegui melhorar consideravelmente a qualidade da captura de áudio.
[ Disco de ouro de 1966 ]

capa-frente

capa-verso

A crítica aplaude Stelinha no estrangeiro

Abaixo, transcrevemos trechos de algumas críticas sobre a intérprete do presente L.P., em jornais da Europa:

“...... Stelinha Egg est la plus remarquable spécialiste de l´art populaira brèsilien. Elle nous donne um rapide mais três savoreux authenticité aperçu de cris de la rua, ceux dês vendeus dês marchandes dês fleurs, bien doutre encore. Tapage éblouissant et d´une colur nouvelle qui termine heuresement ce disque, que nous recommandons vivement”. (Henry Jacques)
“Disque”, Paris.


“...... Estava reservada uma surpresa ao público que acorreu a assistir Stelinha Egg... encontrar-se perante uma artista de excepcional grandeza, com uma personalidade e um talento que a situou para além do melhor que nos tem sido apresentado”.
“Diário de Notícias”, Portugal.


“......não é somente a cantora de voz magnífica e modulada. Stelinha Egg é sobretudo, uma grande atriz dramática de recursos extraordinários, vivendo e fazendo-se sentir o que canta ...... não faz diferença que as palavras sejam pronunciadas em língua estranha, pois ela com sua arte expressiva, fala a todos os povos na mesma linguagem...... (Constantin Vishnevetski)
“A Tarde”, Moscou.

Ouça o disco.


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Aproveitei a empolgação do momento para renovar o arquivo anterior. Gravei tudo de novo e agora o áudio está bem mais agradável. Clique aqui para ver a postagem anterior com o áudio mais aceitável.

domingo, 22 de abril de 2007

Todo mundo tem um parente famoso

Todo mundo tem alguém famoso na família. Pelo bem ou pelo mal, algum parente brilha. O meu parente mais famoso brilhou nos palcos do Brasil, nos anos 40 e 50. Irmã do meu avô, conheci a tia Stelinha quando já estava aposentada dos palcos e retornou com seu marido e maestro Lindolpho Gomes Gaya, para a ainda pacata Curitiba. Foi parceira de Luis Gonzaga, cantou junto com Dorival Caymmi e Silvio Caldas, entre muito outros feitos notáveis.

Para mim, um piá com 13/14 anos, ela era uma tia tão querida quanto doida. Me levou na sua Caravan algumas vezes pra tomar sorvete no centro, com sua magnífica peruca ruiva (que brilhou também nos palcos das esquetes cômicas dos grupos de jovens) e calçando um sapato de cada cor.

Quem a conheceu melhor foi meu mano que, depois da morte do Gaya, dormia na casa dela para lhe fazer companhia.

Uma das histórias que contava, olhando para cima, tentando agarrar com os olhos, no céu, os fiapos da memória, era de um menino tímido que freqüentava sua casa, no Rio. Aparecia por lá levando umas musiquinhas bonitas para o Gaya fazer os arranjos. Passavam algumas horas no piano, com outros músicos, até que ela, braba como todo bom Egg, tocava todo mundo de casa para poder dormir. O menino queria gravar um disco, mas não queria cantar. Achava que precisava de um intérprete. Ela e o Gaya insistiram tanto que convenceram o rapaz. O nome do guri ela nunca lembrava, mas não podia esquecer uma das musiquinhas que ela mais gostava.


Estava a toa na vida
Meu amor me chamou
Pra ver a banda passar
Tocando coisas de amor...

Segundo as lendas da família, a tia Stelinha e o Gaya foram padrinhos de casamento do Chico Buarque e Marieta Severo.
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(Gastei algumas horas frustantes da minha vida tentando digitalizar algumas gravações antigas da tia famosa. O resultado lastimável está aí em baixo. Se eu conseguir melhorar isso depois, atualizo).
Já atualizei :-)

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Mais sobre Stelinha Egg aqui.
Uma biografia bacana
aqui.
Discografia
aqui.
Stelinha e Gaya – uma história de amor.A voz que levou nosso folclore até a Rússia.
Um monte de coisas
aqui.