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quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Missão - salvar crianças-bruxas

"Nas páginas desse livro-documentário você encontrará todos os elementos das famosas estórias de ficção da literatura contemporânea: uma jornada ao mundo do nada, a revelação de grandes mistérios em meio a uma cultura de muito misticismo, onde anjos e demônios seguem à sombra de feiticeiros, bruxos, anciãos e sacerdotes do bem e do mal, todos envolvidos no desaparecimento de milhares de crianças; até que uma verdadeira operação de resgate invade o domínio das trevas, visita seus templos e dá início à batalha para libertar as "crianças-bruxas" da África cristã. A diferença é que, nesse caso, não há ficção de nenhum tipo. É tudo real. E não serve para nos distrair, pois esse livro é um documento missionário e antropológico da decadência religiosa do século XXI. Sim! Está acontecendo do outro lado do atlântico... agora!"


"Quando a gente pensa que é cultural, tribal, pagão e milenar; fica evidente que é religioso, cristão-folclórico e pós-moderno. Quando pensa que é religioso, então percebe o pano de fundo absolutamente cultural. Quando finalmente se conclui que é religioso-cultural, vê que tudo não passa de máfia e tráfico. É business! É grana! É mercado!"

De todos os absurdos humanos que vemos em todos os cantos do planeta, este está certamente entre os mais cruéis e insanos. E as vítimas são crianças. Entre no site para conhecer mais do trabalho e, quem sabe, adquirir um exemplar do livro ou colaborar de outras formas.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Gente enterrada no chão

José Cláudio Riberio da Silva, o Zé Castanha, vivia em Nova Ipixuna, num canto esquecido do Pará. Vivia na floresta e da floresta. Colhia castanhas, fazia cestos, extraía óleos, sustento e alimento da generosidade graciosa e farta da floresta. Mas insistia em denunciar aqueles que, ao redor dele, botavam tudo no chão e faziam impiedosa e gananciosamente da floresta pó.

Terça-feira, 24 de maio de 2011, Zé Castanha e sua esposa foram mortos a tiros por pistoleiros a mando das madeiriras e carvoeiras da região.

Como havia profetizado na sua palestra no TEDx Amazônia, Zé Castanha seguiu os passos resolutos de Chico Mendes e irmã Dorothy e teve o mesmo fim que eles. Até quando?

À nós fica o lembrete, quando formos comprar nossos belos móveis de madeira de lei, que eles podem vir manchados de sangue.

PS: E agora nossos deputados queridos aprovaram o insaciável Novo Código Florestal brasileiro. Três vivas para as madeireiras, agronegócio e a ganância. Impunidade e destruição venceram mais uma.


[Zé Castanha] tá de prova
Naquele lugar tem cova
Gente enterrada no chão



Saga da Amazônia
Vital Farias

Era uma vez na Amazônia, a mais bonita floresta
Mata verde, céu azul, a mais imensa floresta
No fundo d'água as Iaras, caboclo lendas e mágoas
E os rios puxando as águas

Papagaios, periquitos, cuidavam das suas cores
Os peixes singrando os rios, curumins cheios de amores
Sorria o Jurupari, Uirapuru, seu porvir
Era fauna, flora, frutos e flores

Toda mata tem caipora para a mata vigiar
Veio caipora de fora para a mata definhar
E trouxe dragão-de-ferro, prá comer muita madeira
E trouxe em estilo gigante, prá acabar com a capoeira.

Fizeram logo o projeto sem ninguém testemunhar
Prá o dragão cortar madeira e toda mata derrubar:
Se a floresta meu amigo tivesse pé prá andar
Eu garanto meu amigo, com o perigo não tinha ficado lá.

O que se corta em segundos gasta tempo prá vingar
E o fruto que dá no cacho prá gente se alimentar??
Depois tem passarinho, tem o ninho, tem o ar
Igarapé, rio abaixo, tem riacho e esse rio que é um mar.

Mas o dragão continua a floresta devorar
E quem habita essa mata prá onde vai se mudar??
Corre índio, seringueiro, preguiça, tamanduá
Tartaruga, pé ligeiro, corre-corre tribo dos Kamaiurá

No lugar que havia mata, hoje há perseguição
Grileiro mata posseiro só prá lhe roubar seu chão
Castanheiro, seringueiro já viraram até peão
Afora os que já morreram como ave-de-arribação
Zé da Nana tá de prova, naquele lugar tem cova
Gente enterrada no chão

Pois mataram índio que matou grileiro que matou posseiro
Disse um castanheiro para um seringueiro que um estrangeiro
Roubou seu lugar

Foi então que um violeiro chegando na região
Ficou tão penalizado e escreveu essa canção
E talvez desesperado com tanta devastação
Pegou a primeira estrada sem rumo, sem direção
Com os olhos cheios de água, sumiu levando essa mágoa
Dentro do seu coração.

Aqui termina essa história para gente de valor
Prá gente que tem memória muito crença muito amor
Prá defender o que ainda resta sem rodeio, sem aresta
Era uma vez uma floresta na linha do Equador

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Anjos e demônios

O imbecil desorientado do Pat Robertson e sua teologia do Deus vingativo e cruel que sai matando multidões por aí como um desses americanos loucos que invadem escolas armados de metralhadoras é absolutamente revoltante. E o coro de crentes que segue a voz cruel desse lobo disfarçado de cordeiro transtornado é absolutamente lastimável.

Coro semelhante foi ouvido dos púlpitos de muitas igrejas em Santa Catarina depois da tragédia de novembro de 2008. Foi culpa do chope da oktoberfest. Na lógica desses crentes que não entenderam nada Deus, aquele que nos adesivos dizem que ama você, matou mais de uma centena de blumenauenses só para o povo aprender a nunca mais ficar bêbado nas calçadas da cidade no mês de outubro. No Haiti, como a coisa era mais grave, envolvendo um pacto direto com o capiroto, foi preciso matar 100 mil. Mas agora nosso amigo Pat (não, não posso consigo chamar esse evangélico de irmão) está mais tranquilo porque tem esperança de que algo de bom possa acontecer.



"Pat Robertson: E, você sabe, Kristi, algo que aconteceu há muito tempo no Haiti, e as pessoas podem não querer falar sobre isso. Eles estavam sob o calcanhar da frança. Você sabe, Napoleon III e tudo. E eles se reuniram e fizeram um pacto com o diabo. Eles disseram: "Nós serviremos você se você nos libertar da França." Verdade. E assim, o diabo disse: "OK, negócio fechado".

E eles chutaram a França para fora. Você sabe, os haitianos se revoltaram e tornaram-se livres. Mas desde então, eles têm sido amaldiçoados por uma coisa depois da outra. Desesperadamente pobre. Essa ilha de "Hispaniola", é uma ilha. É cortada ao meio. De um lado é o Haiti, do outro a República Dominicana. República Dominicana é próspera, saudável, cheia de resorts, etc. Haiti está em situação de extrema pobreza. Mesma ilha. Eles precisam ter e precisamos orar por eles uma grande mudança para Deus. E apesar desta tragédia, estou otimista de que algo bom possa acontecer. Mas agora, estamos ajudando o povo que sofre, e o sofrimento é inimaginável."


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Enquanto isso, nossa querida irmã Zilda Arns (sim, chamo, comovido, essa senhora católica de irmã), horas antes de morrer, proferia no Haiti o discurso abaixo:

"Na verdade, todos estamos aqui, neste encontro, porque sentimos dentro de nós um forte chamado para difundir no mundo a boa notícia de Jesus. A boa notícia, transformada em ações concretas, é a luz e esperança na conquista da paz nas famílias e nações. A construção da paz começa no coração das pessoas e tem seu fundamento no amor [...]. A paz é uma consquista coletiva. Tem lugar quando capacitamos as pessoas, quando promovemos os valores culturais e éticos, as atitudes e práticas de busca do bem comum, que aprendemos de nosso mestre Jesus: "Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância" (Jo 10.10).

[...] O povo seguiu Jesus porque tinha palavras de esperança. Assim nós somos chamados a anunciar experiências positivas e caminhos que levem as comunidades, famílias e o país a serem mais justos e fraternos. Como discípulos e missionários, convidados a evangelizar, sabemos que a força propulsora da transformação social está na prática do maior de todos os mandamentos da lei de Deus: o amor, expresso na solidariedade fraterna, capaz de mover montanhas."


Não sei se um dia vou encontrar Pat Robertson pessoalmente. Dona Zilda, no entanto, creio que verei com seu sorrisinho simpático, não sei se antes ou depois de eu dançar com Michael, e quero dar-lhe um longo abraço.

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O discurso completo de Zilda Arns (PDF - espanhol)

Como ajudar no Haiti

Em todos os cantos

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Bingos, estacionamentos e igrejas

Inácio Araújo nos lembrou no seu blog sobre cinema que, 'no passado, as salas de cinema viraram igrejas evangélicas, estacionamentos e bingos'. Segundo Inácio, 'os três signficavam o oposto do cinema como expressão de liberdade e de crescimento espiritual' e, dos três, 'o que mais me agredia era o bingo, pelo poder de corrupção, de sujeira, de contágio doentio que traz consigo'.

Está certo ele. O que mais agride um cidadão razoavelmente de bem, se é que existe algum, é a instituição que tem poder de corrupção, sujeira e contágio doentio. Nessa história estacionamentos podem ser considerados solo santo. Entre igrejas e bingos, no entando, a briga está feia. Mas no quesito contágio doentio não se pode negar que as igrejas estão em situação insuperável. O crescimento evangélico não nos permite desmentir. O nível de contágio é muito maior do que o da gripe A.

Mas enquanto igrejas são inevitáveis a curto prazo, bingos, que foram merecidamente banidos, ameaçam ressurgir com toda sua impressionante capacidade de potencializar o crime organizado com lavagem fácil de dinheiro. O lobby da indústria do bingo já está dando uma surra no bom senso. A aprovação da volta dos bingos pela Comissão de Justiça e Constituição da Câmara por 40 votos contra 7 deixa claro.

Araújo continua: 'É impressionante como coisas destrutivas (porém lucrativas) lutam para impor tudo que é indecente com argumentos mais indecentes ainda, que não convém nem repetir de tão imorais. E outra: ninguém precisa das ultrajantes esmolas que eles propõem distribuir aqui e ali' (se aqui ele se refere a bingos ou igrejas você decide).

Se cinemas um dia tornaram-se igrejas, que igrejas agora se tornem salas de cinema, leitura, espetáculos e arte. Que abram suas portas às comunidades e ofereçam cultura, educação e entretenimento à população. Que deixem de variar entre o alienante (e nauseante) circo de horrores religioso e a irrelevência de prédios fantasmas, fechados a semana inteira, abrindo unicamente para as liturgias dominicais, e possam contribuir para a qulaidade de vida da população.

Bingos, não, conclui Inácio Araújo.
Igrejas, do jeito que estão, também não, concluo eu.

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Mais sobre a volta dos bingos aqui.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Disse e salvei a minha alma

(...) Os encaminhamentos do G-20 mantêm a acumulação do capital como o principal motor do funcionamento da economia e o mercado livre como o lugar de sua reprodução. Isso simplesmente é mais do mesmo. Não ataca as causas que levaram à crise. A crise econômico-financeira é vista fora do contexto global de crise: social, alimentária, energética, climática e ecológica. Todas estas crises são consideradas como externalidades, quer dizer, fatores que não entram na contabilidade do capital, como o deslocamento de milhões de pessoas do campo para as cidades, o desflorestamento, a contaminação do solo, do mar e do ar. Estes fatores só são tomados em consideração quando se revelam empecilho para os ganhos do capital.

Mas não há como evitar a questão ética: trata-se de uma solução que contempla a humanidade como um todo e que garante a vitalidade ao planeta Terra? Ou simplesmente se trata de salvar o sistema do capital para beneficiar os que acumulam? (...)

Tudo indica que se trata de uma crise do sistema. As duas externalidades maiores – a social e a ambiental – não ganham centralidade. Mas elas são de tal gravidade que põem em xeque as soluções propostas, possuindo somente sustentabilidade a curto e a médio prazo. Depois voltará a crise, possivelmente, sob a forma de tragédia ou de farsa (Marx).

(...) A crise ecológica não é menor. Estamos já dentro do aquecimento global, que vai ser devastador para milhões de pessoas e para a biodiversidade. E. Wilson, renomado biólogo, denunciou que a cada ano a voracidade capitalista elimina definitivamente 3.500 espécies de seres vivos. Diante deste quadro dramático, só nos resta repetir o que deixou escrito em latim o gênio da crítica ao capital: "Dixi et salvavi animam meam".

Leonardo Boff, no Jornal do Brasil. Via Pavablog.