segunda-feira, 26 de abril de 2010

Calor da batalha

Ah maldita flecha amarga que venceu as trincheiras e barricadas
De que me serviu a cota de malha?
E o escudo pesado de chumbo?
Se a flecha era certeira, se tinha destino certo, se vinha como um raio
Se o arqueiro era preciso, e preciso o arco
Se tangida a linha, seria exato o traçado da seta inflamada
Teria sido preciso o esforço?

Tivesse eu desde o início me lançado nu ao campo de batalha
De peito aberto enfrentaria os dardos
Escudo ao chão e na mão um anel
Transporia o cenário de morte a passos largos e olhar convicto
Se soubesse que meu peito vazaria em sangue
Teria me exposto fraco e débil como sei agora que sou
Sem a fantasia de guerreiro

Resta-me agora a tênue esperança de que da morte brote a vida
Sem o desconforto dos trajes pesados
Sem a ilusão da bravura cruel
Ah bendita flecha doce que venceu meu escudo e livrou-me de mim
Teria Deus conduzido a mão do arqueiro?
Que ressurja dos campos alguém melhor que o que dorme
E que durma em paz o homem que fui

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